2003/09/20
O meu primeiro tema (mete "Sexo" e "Muculmanos" - isto e marketing!!)
"Empate! Sem honra, nem gloria... Zero votos! Sem palavras, fim de historia..."! Estes poderiam ser os primeiros versos de um rap que eu deveria fazer para lamentar o primeiro grande flop da minha ainda curta caminhada rumo ao estrelato!!! Nem o meu escasso (eufemismo) e fiel (ironia) publico (sim, voces os tres, seus...) le o que eu escrevo...
Ah, mas o meu dia chegara... E nesse dia os meus rabiscos num qualquer guardanapo de cafe irao valer muito dinheiro...
Adiante!
Nas cronicas anteriores comecei a tracar o meu caminho: um objectivo (ser artista), uma inspiracao (o meu pe esquerdo), um estilo (ainda nao concretamente definido, mas algures entre o alucinado e o palhaco)... Ja estou quase pronto para lancar maos a obra... Proximo passo: definir o tema, esse diamante em bruto por delapidar.
Nao fosse o estar ja escaldado, esta seria uma boa oportunidade para lancar mais uma votacao. Mas, nao! Nao vou sujeitar-me novamente aos desvarios sadicos do meu "public'uzinho"! E tal como a maioria dos grandes artistas, vou assumir o meu egoismo, o meu egocentrismo e escolher sozinho o meu primeiro tema! Ah!
Et voila: a minha primeira perola literaria vai abordar... (suspense)... A visao ocidental sobre a vida sexual dos muculmanos!!! (parece-me que tenho em maos um tema de enorme potencial!!).
Mas devo desde ja fazer uma advertencia: um "alucinado", tal como o defini, e alguem que apresenta outras formas de ver a realidade, outras "visoes" sobre um determinado tema. E nao foi por acaso que optei por este estilo. Desta forma, nao so nao tenho que desenvolver um grande esforco de pesquisa sobre o tema a abordar (basta-me mandar uns "bitaites", e dizer que e a minha "visao"), como ainda posso dizer todas as "alarvidades" e mais algumas, sem com isso correr o risco de me sujeitar a um "linchamento" (os alucinados, vistos como alguem que nao tem os parafusos todos, gozam de alguma complacencia junto de quem os ouve - ou, melhor: como ninguem os ouve, nao importa muito se o que dizem tem fundamento ou faz sequer algum sentido!!).
Sera que estou a ouvir o fervilhar da vossa curiosidade? (ou sera isto o som das batatas a fritar?).
"Sexo" e "Muculmanos", brevemente, num blog perto de... "si"! (nao quero ca confiancas!!!).
Ah, mas o meu dia chegara... E nesse dia os meus rabiscos num qualquer guardanapo de cafe irao valer muito dinheiro...
Adiante!
Nas cronicas anteriores comecei a tracar o meu caminho: um objectivo (ser artista), uma inspiracao (o meu pe esquerdo), um estilo (ainda nao concretamente definido, mas algures entre o alucinado e o palhaco)... Ja estou quase pronto para lancar maos a obra... Proximo passo: definir o tema, esse diamante em bruto por delapidar.
Nao fosse o estar ja escaldado, esta seria uma boa oportunidade para lancar mais uma votacao. Mas, nao! Nao vou sujeitar-me novamente aos desvarios sadicos do meu "public'uzinho"! E tal como a maioria dos grandes artistas, vou assumir o meu egoismo, o meu egocentrismo e escolher sozinho o meu primeiro tema! Ah!
Et voila: a minha primeira perola literaria vai abordar... (suspense)... A visao ocidental sobre a vida sexual dos muculmanos!!! (parece-me que tenho em maos um tema de enorme potencial!!).
Mas devo desde ja fazer uma advertencia: um "alucinado", tal como o defini, e alguem que apresenta outras formas de ver a realidade, outras "visoes" sobre um determinado tema. E nao foi por acaso que optei por este estilo. Desta forma, nao so nao tenho que desenvolver um grande esforco de pesquisa sobre o tema a abordar (basta-me mandar uns "bitaites", e dizer que e a minha "visao"), como ainda posso dizer todas as "alarvidades" e mais algumas, sem com isso correr o risco de me sujeitar a um "linchamento" (os alucinados, vistos como alguem que nao tem os parafusos todos, gozam de alguma complacencia junto de quem os ouve - ou, melhor: como ninguem os ouve, nao importa muito se o que dizem tem fundamento ou faz sequer algum sentido!!).
Sera que estou a ouvir o fervilhar da vossa curiosidade? (ou sera isto o som das batatas a fritar?).
"Sexo" e "Muculmanos", brevemente, num blog perto de... "si"! (nao quero ca confiancas!!!).
2003/09/18
Lamechas, Palhaco, Alucinado ou Profundo? A procura de um estilo.
Na minha primeira "cronica" (e unica ate agora!) ja expliquei a mim proprio e ao meu publico (sim, a voces os tres) o processo que me levou a (re)descobrir que queria ser "artista".
Abordei tambem a escolha da minha forma de arte (a escrita) e da minha principal fonte de inspiracao (o meu pe esquerdo).
Estou agora na fase em que tenho que definir um estilo. Que tipo de artista/ escritor quero ser? Bem, para ser sincero, nao conclui ainda se devo procurar um estilo unico ou se devo explorar as diversas possibilidades com que me deparar. Especializacao ou polivalencia? Saber fazer apenas uma coisa, mas faze-la como ninguem, ou saber fazer um pouco de tudo?
Mas, vamos por fases. Do meu ponto de vista, o que distingue os diversos estilos de artistas e o efeito, a reaccao que cada um deles provoca no publico: o fazer verter uma lagrima, o provocar uma gargalhada, o transportar para outras realidades, outros mundos ou o simples (?) facto de fazer pensar.
Adoptando este criterio, e admitindo que ha uma multiplicidade de classificacoes e categorizacoes possiveis (esta e so a minha), identifico os seguintes estilos, que passo a enunciar sem qualquer espirito depreciativo nos adjectivos escolhidos para os caracterizar: o "lamechas" (tambem conhecido como "liquidificador de emocoes"), aquele que sabe como ninguem tocar nos nossos pontos mais sensiveis, despertar os nossos sentimentos mais encarcerados e trazer a flor da pele as nossas mais reprimidas emocoes; o "palhaco", aquele que tem o dom de, com apenas uma palavra ou uma expressao, provocar simultaneamente contorcoes abdominais, dificuldades respiratorias, uma dilatacao dos globulos oculares e um subito aumento da pressao sanguinea no cerebro (em suma: um violento ataque de riso); o "alucinado", aquele que atraves da sua abstraccao incontinente e imaginacao delirante, por vezes controversa e incompreendida, mas sempre impactante (nao se discute aqui a positividade ou negatividade do impacto), nos apresenta outras realidades, outros mundos ou outras formas de ver a realidade e o mundo em que vivemos; e o "profundo", aquele cuja obra estimula a actividade cognitiva e a introspeccao (a profundidade desta descricao obriga-me a ficar por aqui, sob o risco de impossibilitar a sua compreensao...).
Ah! Esqueci-me de fazer uma referencia: nos estilos aqui identificados enquadram-se apenas os "bons artistas". Depois ha os "maus artistas", aqueles que, podendo tambem ter o seu estilo proprio, assumem uma caracteristica comum entre eles: a reaccao que mais frequentemente provocam junto do publico e a indiferenca! (Oh, meu Deus, como doi saber que, neste momento, este e ainda o meu estilo... Sera que, se eu trabalhar bem isto, conseguirei fazer vingar o "indiferente" como um estilo dignamente reconhecido e apreciado??)
Identificadas as possibilidades, como irei agora orientar a minha escolha?
Lamechas, Palhaco, Alucinado ou Profundo?
Todos ao mesmo tempo?
Combinacoes de estilos, tipo Palhaco-Alucinado ou Lamechas-Profundo?
Assim a primeira vista diria que me sinto mais inclinado para escolher apenas um estilo. E tenho um "feeling" que o estilo em que me vou sentir mais confortavel e o "alucinado"... Se bem que, e ha que admiti-lo, tambem tenho um pouco (?) de "palhaco" em mim (o facto de muitos dos meus amigos me apelidarem carinhosamente dessa forma e prova disso!).
Mas esta nao e uma decisao que se possa tomar de animo leve. Exige, de facto, alguma reflexao.
E exige tambem uma prospeccao junto daquele que sera o meu publico (sim, voces os tres). O que me coloca numa situacao confrangedora: colocando os estilos identificados a votacao, tenho mais opcoes do que votantes!!! Sendo o meu publico actual em numero impar, estava agradado pelo facto de, ao menos, evitar uma situacao de empate, mas assim...
Volto brevemente, num blog perto de "si"! (ainda nao tenho intimidade suficiente com o meu publico - os resistentes tres - para terminar esta frase em "ti"...)
Abordei tambem a escolha da minha forma de arte (a escrita) e da minha principal fonte de inspiracao (o meu pe esquerdo).
Estou agora na fase em que tenho que definir um estilo. Que tipo de artista/ escritor quero ser? Bem, para ser sincero, nao conclui ainda se devo procurar um estilo unico ou se devo explorar as diversas possibilidades com que me deparar. Especializacao ou polivalencia? Saber fazer apenas uma coisa, mas faze-la como ninguem, ou saber fazer um pouco de tudo?
Mas, vamos por fases. Do meu ponto de vista, o que distingue os diversos estilos de artistas e o efeito, a reaccao que cada um deles provoca no publico: o fazer verter uma lagrima, o provocar uma gargalhada, o transportar para outras realidades, outros mundos ou o simples (?) facto de fazer pensar.
Adoptando este criterio, e admitindo que ha uma multiplicidade de classificacoes e categorizacoes possiveis (esta e so a minha), identifico os seguintes estilos, que passo a enunciar sem qualquer espirito depreciativo nos adjectivos escolhidos para os caracterizar: o "lamechas" (tambem conhecido como "liquidificador de emocoes"), aquele que sabe como ninguem tocar nos nossos pontos mais sensiveis, despertar os nossos sentimentos mais encarcerados e trazer a flor da pele as nossas mais reprimidas emocoes; o "palhaco", aquele que tem o dom de, com apenas uma palavra ou uma expressao, provocar simultaneamente contorcoes abdominais, dificuldades respiratorias, uma dilatacao dos globulos oculares e um subito aumento da pressao sanguinea no cerebro (em suma: um violento ataque de riso); o "alucinado", aquele que atraves da sua abstraccao incontinente e imaginacao delirante, por vezes controversa e incompreendida, mas sempre impactante (nao se discute aqui a positividade ou negatividade do impacto), nos apresenta outras realidades, outros mundos ou outras formas de ver a realidade e o mundo em que vivemos; e o "profundo", aquele cuja obra estimula a actividade cognitiva e a introspeccao (a profundidade desta descricao obriga-me a ficar por aqui, sob o risco de impossibilitar a sua compreensao...).
Ah! Esqueci-me de fazer uma referencia: nos estilos aqui identificados enquadram-se apenas os "bons artistas". Depois ha os "maus artistas", aqueles que, podendo tambem ter o seu estilo proprio, assumem uma caracteristica comum entre eles: a reaccao que mais frequentemente provocam junto do publico e a indiferenca! (Oh, meu Deus, como doi saber que, neste momento, este e ainda o meu estilo... Sera que, se eu trabalhar bem isto, conseguirei fazer vingar o "indiferente" como um estilo dignamente reconhecido e apreciado??)
Identificadas as possibilidades, como irei agora orientar a minha escolha?
Lamechas, Palhaco, Alucinado ou Profundo?
Todos ao mesmo tempo?
Combinacoes de estilos, tipo Palhaco-Alucinado ou Lamechas-Profundo?
Assim a primeira vista diria que me sinto mais inclinado para escolher apenas um estilo. E tenho um "feeling" que o estilo em que me vou sentir mais confortavel e o "alucinado"... Se bem que, e ha que admiti-lo, tambem tenho um pouco (?) de "palhaco" em mim (o facto de muitos dos meus amigos me apelidarem carinhosamente dessa forma e prova disso!).
Mas esta nao e uma decisao que se possa tomar de animo leve. Exige, de facto, alguma reflexao.
E exige tambem uma prospeccao junto daquele que sera o meu publico (sim, voces os tres). O que me coloca numa situacao confrangedora: colocando os estilos identificados a votacao, tenho mais opcoes do que votantes!!! Sendo o meu publico actual em numero impar, estava agradado pelo facto de, ao menos, evitar uma situacao de empate, mas assim...
Volto brevemente, num blog perto de "si"! (ainda nao tenho intimidade suficiente com o meu publico - os resistentes tres - para terminar esta frase em "ti"...)
2003/09/17
Um verdadeiro artista
Quando me perguntavam "O que queres ser quando fores grande?", eu respondia coisas como "cantor" (ate aos 8 anos), "futebolista" (ate aos 14 anos), "jornalista" (ate aos 18 anos), "gestor de empresas" (dos 18 anos ate hoje).
Curiosa esta evolucao: parece-me a mim que reflecte um prevalecer do meu lado racional e realista sobre o meu lado emotivo e fantasista. Como se me tivesse deixado vencer pelo passar dos anos, pelo esmorecer dos sonhos que tardavam em concretizar-se...
Hoje, aos 28 anos, ao fazer a mesma pergunta a mim proprio, sinto-me como se tivesse voltado a infancia. Respondo-me "quero ser artista". Sera que o meu lado emotivo e fantasista nao esta ainda completamente morto e enterrado? Sera que os sonhos outrora guardados, bem no fundo da arca mais escondida do sotao das recordacoes, se preparam para voltar a ver a luz do dia?
E o que significa ao certo ser "artista"? Na minha interpretacao um "artista" e alguem que escolhe uma forma de arte como o seu veículo privilegiado de comunicacao, de expressao dos seus sentimentos e da sua forma de ver os outros e o mundo.
E e exactamente isto que eu quero ser e fazer! Sera possivel? E todo o caminho que percorri ao longo de todos estes anos, para chegar onde cheguei e sentir que agora quero voltar para tras e seguir por outra via... tera sido em vao? Bom, em vao nao diria... acredito que tera havido um proposito divino a ditar este percurso... como num jogo de computador, em que temos que seguir por um caminho para apanhar as "vidas suplementares", as "pocoes magicas", as "armas", os "companheiros de aventura", e depois sim procurar o caminho certo, aquele que nos leva ao objectivo maior!
E que objectivo maior e esse? O lugar comum da "felicidade"? Como ja alguem disse, a felicidade nao existe. O que existem sao momentos felizes. Acredito que o meu objectivo maior, assim como o da maioria dos comuns mortais bem intencionados (o que sera que isto quer dizer? ainda vou descobrir...), e o poder acumular o maior numero possivel de momentos felizes. Mais uma vez, tal como num jogo de computador, ganha aquele que acumular mais pontos!
Bom, neste momento ja sei que quero ser "artista" e que dessa forma tentarei acumular o maior numero possivel de momentos felizes. Qual sera entao a minha forma de arte, aquela atraves da qual vou comunicar e expressar os meus sentimentos e a minha forma de ver os outros e o mundo?
Ah! Tinha-me esquecido! Uma vez que tenho que trabalhar para (sobre)viver, esta forma de arte tera tambem que garantir o meu sustento...
Mais uma vez volto a infancia. Quando andava na escola, e ao longo de varios anos, era o menino bonito das professoras de Portugues. Todas achavam muita piada a minha forma de escrever. Diziam que eu tinha "jeito" (sera que diziam isso a todos, como forma de motivacao? quero acreditar que nao e que de facto se referiam a um dom especial... mas ainda vou tirar isso a limpo!!).
Pressupondo que sim, que eu de facto tinha algum "jeito", acho que a escrita vai ser, pelo menos para ja (prudencia? ainda sao os sintomas latentes do meu lado racional e realista...), a minha forma de comunicacao e expressao escolhida.
Como todos os escritores, poetas, enfim, os "artistas" em geral, tenho que procurar as minhas fontes de inspiracao. Essas fontes podem ser coisas tao simples como as ondas do mar a bater na areia ou como um pardal a apanhar pedaços de pao. Podem tambem ser coisas mais complexas como uma paixao avassaladora ou um desgosto de amor.
A escolha de uma fonte de inspiracao suficientemente forte e mobilizadora e, de facto, determinante para o sucesso de um "artista" na busca do seu objectivo maior. Optei por escolher a que da o nome a este blog (O Meu Pe Esquerdo). Christy Brown, o personagem interpretado por Daniel Day-Lewis neste filme, luta contra tudo e contra todos para alcancar o seu sonho. E o seu sonho nem e tao ambicioso como os sonhos da maioria de nos. Ele quer apenas e tao so fazer-se entender, expressar o que sente. Numa palavra: comunicar. Com o seu pe esquerdo, o unico membro do corpo sobre o qual tem algum controlo, Christy Brown materializa o seu sonho através da escrita e da pintura. E fa-lo de uma forma simplesmente brilhante!
Parece-me bem... O arrepio que sinto ao pensar neste exemplo e um bom sinal de que talvez esta seja uma boa fonte de inspiracao. O tempo o dira...
Se daqui por uns anos, ao passear pela rua, ouvir uma rapariga de sete, oito anos a perguntar ao pai "quem e aquele senhor? parece que o conheco de algum lado.", e o pai responder "e um verdadeiro artista", saberei a resposta a esta questao e acumularei mais um momento de felicidade!
Curiosa esta evolucao: parece-me a mim que reflecte um prevalecer do meu lado racional e realista sobre o meu lado emotivo e fantasista. Como se me tivesse deixado vencer pelo passar dos anos, pelo esmorecer dos sonhos que tardavam em concretizar-se...
Hoje, aos 28 anos, ao fazer a mesma pergunta a mim proprio, sinto-me como se tivesse voltado a infancia. Respondo-me "quero ser artista". Sera que o meu lado emotivo e fantasista nao esta ainda completamente morto e enterrado? Sera que os sonhos outrora guardados, bem no fundo da arca mais escondida do sotao das recordacoes, se preparam para voltar a ver a luz do dia?
E o que significa ao certo ser "artista"? Na minha interpretacao um "artista" e alguem que escolhe uma forma de arte como o seu veículo privilegiado de comunicacao, de expressao dos seus sentimentos e da sua forma de ver os outros e o mundo.
E e exactamente isto que eu quero ser e fazer! Sera possivel? E todo o caminho que percorri ao longo de todos estes anos, para chegar onde cheguei e sentir que agora quero voltar para tras e seguir por outra via... tera sido em vao? Bom, em vao nao diria... acredito que tera havido um proposito divino a ditar este percurso... como num jogo de computador, em que temos que seguir por um caminho para apanhar as "vidas suplementares", as "pocoes magicas", as "armas", os "companheiros de aventura", e depois sim procurar o caminho certo, aquele que nos leva ao objectivo maior!
E que objectivo maior e esse? O lugar comum da "felicidade"? Como ja alguem disse, a felicidade nao existe. O que existem sao momentos felizes. Acredito que o meu objectivo maior, assim como o da maioria dos comuns mortais bem intencionados (o que sera que isto quer dizer? ainda vou descobrir...), e o poder acumular o maior numero possivel de momentos felizes. Mais uma vez, tal como num jogo de computador, ganha aquele que acumular mais pontos!
Bom, neste momento ja sei que quero ser "artista" e que dessa forma tentarei acumular o maior numero possivel de momentos felizes. Qual sera entao a minha forma de arte, aquela atraves da qual vou comunicar e expressar os meus sentimentos e a minha forma de ver os outros e o mundo?
Ah! Tinha-me esquecido! Uma vez que tenho que trabalhar para (sobre)viver, esta forma de arte tera tambem que garantir o meu sustento...
Mais uma vez volto a infancia. Quando andava na escola, e ao longo de varios anos, era o menino bonito das professoras de Portugues. Todas achavam muita piada a minha forma de escrever. Diziam que eu tinha "jeito" (sera que diziam isso a todos, como forma de motivacao? quero acreditar que nao e que de facto se referiam a um dom especial... mas ainda vou tirar isso a limpo!!).
Pressupondo que sim, que eu de facto tinha algum "jeito", acho que a escrita vai ser, pelo menos para ja (prudencia? ainda sao os sintomas latentes do meu lado racional e realista...), a minha forma de comunicacao e expressao escolhida.
Como todos os escritores, poetas, enfim, os "artistas" em geral, tenho que procurar as minhas fontes de inspiracao. Essas fontes podem ser coisas tao simples como as ondas do mar a bater na areia ou como um pardal a apanhar pedaços de pao. Podem tambem ser coisas mais complexas como uma paixao avassaladora ou um desgosto de amor.
A escolha de uma fonte de inspiracao suficientemente forte e mobilizadora e, de facto, determinante para o sucesso de um "artista" na busca do seu objectivo maior. Optei por escolher a que da o nome a este blog (O Meu Pe Esquerdo). Christy Brown, o personagem interpretado por Daniel Day-Lewis neste filme, luta contra tudo e contra todos para alcancar o seu sonho. E o seu sonho nem e tao ambicioso como os sonhos da maioria de nos. Ele quer apenas e tao so fazer-se entender, expressar o que sente. Numa palavra: comunicar. Com o seu pe esquerdo, o unico membro do corpo sobre o qual tem algum controlo, Christy Brown materializa o seu sonho através da escrita e da pintura. E fa-lo de uma forma simplesmente brilhante!
Parece-me bem... O arrepio que sinto ao pensar neste exemplo e um bom sinal de que talvez esta seja uma boa fonte de inspiracao. O tempo o dira...
Se daqui por uns anos, ao passear pela rua, ouvir uma rapariga de sete, oito anos a perguntar ao pai "quem e aquele senhor? parece que o conheco de algum lado.", e o pai responder "e um verdadeiro artista", saberei a resposta a esta questao e acumularei mais um momento de felicidade!